domingo, 6 de outubro de 2013

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  É desespero. O mais puro e refinado desespero. Daqueles sutis, que só podem ser vistos no olhar de um qualquer caído, no fim da festa, nos fundos do salão, descalço, bêbado e descabelado. Ele vem à noite, entra pela janela e me consome sem que eu perceba. Quando me dou conta já estou encolhida, choramingada, descabelada e sozinha, que nem ele.
  Talvez não acredite, amor. E eu te entendo, não o culpo. Porém entenda você, há certas vírgulas e certas aspas que censuro de seus bilhetes. Não que esteja me escondendo ou algo do tipo. É só que já estamos saturados. Cheios de vazio... E eu preciso de mim nessas horas.
  Ao mesmo tempo, é esse abismo entre nós dentro de nossos abraços que me mata. Que me desespera. E ai eu choro, meu bem. Eu choro. Só que você não vê... Porque o choro, o choro vem na solidão. Na noite calada. Enquanto você está sob as luzes de algum bar. Infestado de amigos e cheio de planos, projetos, sonhos... 
  Eu vou murchando, secando, me esvaziando... Estou ficando pobre, querido. Pobre de sorrisos.