domingo, 21 de abril de 2013

Mingau.

  Faz tempo; foi tempo. Você lá, e eu lá contigo. Nós, nós dois lá. E mais nada, nada além de nós. Plenitude meu amor, plenitude! Éramos nós em direção ao pôr do sol no fim do filme. Os créditos subindo e a nossa música tocando.
  Mas o sol se pôs. E logo em seguida estávamos desorientados. Sem luz, sem calor, perdidos. Não te via meu bem, não te alcançava. Rodei em círculos contornando meu próprio umbigo, procurando te achar. Mas você não estava nos meus bolsos, nem no meu colo, muito menos no umbigo.
  E quando dei por mim, você já estava longe, pequeno, difícil de alcançar. E eu tonta, cansada, ainda embolada na confusão que criei. Confusão que foi crescendo e me engoliu tão rápido que nem sabia mais onde estava. Mais perdida que antes, não te via ou sentia. Era longe o seu lugar. Quilômetros entre nós ocupados pelas tentativas frustradas de me soltar.
  Não sei como vai ser agora, não sei o rumo pra te encontrar. Mas eu sei que quero ser o seu mingau. Quero ser sua lembrança mais doce, sua saudade mais recente, seu carinho mais gostoso, seu sabor mais suave. Eu quero ser, meu bem. Eu quero ser o seu mingau.

  E eu já estou com saudades...
   

Nenhum comentário:

Postar um comentário