terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cabelos, tamancos e martelos.

  Vou cortar os cabelos. Está mais que decidido. E não passa de amanhã. Vou arrumar qualquer tesoura, qualquer faca, qualquer desculpa ou canivete pra não me perdoar. Assistir fio a fio ir se deitando um sobre o outro no chão. Ou talvez o faça durante o banho. Pra não ver bagunça nenhuma... Sufocar o ralo com minhas pendências, afogá-lo de mais nada além dos restos.
  Que de restos não quero nada. Pendências, poeira, promessas... Que se esbarrem e se esganem. Já bati meus tamancos; que disso tudo não quero um grão. Os tamancos e os martelos. Logo depois me decidi: que dos tamancos é melhor descer. Porque descalça ando melhor; afinal, já me livrei dos grãos mais incômodos. E o tamanco apertado não vai fazer tanta falta assim.
  Então que o martelo se cuide sozinho, tome rumo, se decida. Pois por mim se escapole ralo abaixo junto com os grãos e com os cabelos e talvez até com os tamancos. 
  Mas não passa de amanhã...