segunda-feira, 23 de julho de 2012

Rasgo.

Meu poeta. Meu poeta particular. 
Tua alma que não se cabe comportada.
Poeta que não vive poesia.
Linhas tortas, dedos firmes.
Poeta desprovido de poema.
E foram cinco. Cinco beijos.
Infinitos planos. Apenas planos.
Caro poeta, que é saudade. 
Deixei vazar, escorreu.
Eu e minhas fendas...
Não pudemos conter-lhe.
Talvez rezar para que volte.
Rezo não, é demais. 
Aguardo, pois. 
De dedos cruzados, que seja.
Que se voltar, que se volte como foi.
Recite seus versos desconexos.
Admita vontade. Recupere a urgência.
Em silêncio, discreto.
Direcione meus devaneios novamente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Aquarelado.

  Em teu corpo infinito, quero morar em teu umbigo. Ser parte de teu ventre, sentir-te toda até os seios; costas e braços e unhas e pele. Lábios rosados e outros pálidos. Coxas finas de menina, morenas de mulher. Minhas, somente minhas. Joga os braços para cima, agarra-se aos lençóis, contorce o pescoço, se estica por inteira. Volta a dominar-me, mordendo a carne, rasgando a pele. Voraz, incansável, inabalável, puxa os cabelos e faz de mim parte tua. Provoco-te: Seja! Seja! Seja! E tu és. E tu fazes. Tu que eras só mais um sorriso, agora faz-se louca por inteira. Gritos e rasgos e sangue e gozo. Respira pesado, ofegante. Relaxa as têmporas, solta os lençóis. Abre os olhos e me sorri. Ainda muda, me alcança as orelhas, encosta os lábios finos e os dedos melados, sussurra meia dúzia de segredos e depois se deixa cair. Adormece, e já menina, se enrosca toda, calada em si.
  E na tarde fria, no céu laranja, estamos nós, gravadas pela eternidade.