segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cura, cuspe, culpa.

  Disse. Sou assim. Que completem meus buracos, preencham-nos. De atropelo em atropelo, espero que resolvam.
  Mas não são. Não o que deviam ser, o que me é necessário. Espaços e vãos muito escuros, ou muito extensos, até irreais. Assombrados e mal queridos por não satisfazerem.
  Habitam a alma, e assombram por não desistir. Assombram por insistir, por existir.
  A mesma caridade de teu suor já não me basta. Pele e boca, calor e toque; não me suprem só os teus.
  
"Amo-te com certo dó; um ar de arrependimento e prováveis súplicas de socorro".
  
  Feito rombos e gritos. Entre cômodos vazios, frios e sexo escorrendo pela ponta dos dedos. Distraída, sobre os pés molhados em cima da cama e meu cabelo embolado sobre teu peito. Sobre a mistura de tinta escura e lágrimas frias, secando juntas.
  Abismo em abismo, buraco em buraco, tentando amar-te com amor. Desejando teu mais puro suor por não suar. Tua sujeira incolor por não sujar. E tuas mordidas insípidas por frigidez. O desnivelamento do solo anda cortando-me os pés.
  Baixaria; tens-me rouca, então, insóbria.

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