quinta-feira, 28 de junho de 2012

Calados:

  Meu corpo encolhido, tuas mãos procurando milagre. Um pouco mais encolhido, teus pés a procura de ar. Seus olhos fechados; abertos os meus. Uma lágrima, incontida, vai.
  Ao resto da noite, questiono a mim mesma, dos porquês e motivos. Que já não acho, já não sei. Que não é bruto. Que não sou. Que em teu colo, frágil. Eu sou. E sou só. Já que em teu colo, água sou. Sou algodão. Fina e transparente. Branca, um sopro fraco.
  Por sexo de poeta. Sussurros e carinho, em toques mornos, quase não toques. Lábios sem cor, olhos sem cor, cabelos sem cor, pele sem cor, unhas sem cor. Um corpo sem formas. Sem cor, cheiro, gosto. Quase vapor, é fumaça quase imperceptível, é alma quase crua, é fria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário