sábado, 31 de março de 2012

Tanto

  Eu quero uma banheira. Quero uma cama baixa e muitos quadros. Livros empilhados e fotos coladas nas paredes do corredor. Manchetes de jornal que me lembrem você. Pedaços de papel presos na porta do armário, com bilhetes quem me façam rir de manhã. 
  Um apanhador de sonhos na janela e rabiscos na porta. Trechos de músicas e poesias pintadas nas paredes da sala. Chinelos grandes demais e shorts curtos. O mesmo blusão sem nada por baixo e mais um dia frio. Banhos com as luzes apagadas e os espelhos fora do lugar.
  Quero romances foscos, saídos do meu projetor. Um copo de café bem amargo e biscoitos sem açúcar num pote de vidro perto da câmera que você esqueceu de propósito. As fotos coloridas escondidas numa caixa. Calendários antigos ainda nas gavetas e cartas seladas embaixo deles. Chaves no balcão de madeira e velas meio derretidas.
  Quero tornar o urgente passivo, acalmar esse mar imenso de vontades e roubar o clichê para mim. Fazer essa intensidade girar a meu favor. Usar lentes sépia e viver devagar. Ter um pote de mel sempre por perto. Ver a chuva chegar e lembrar de todos os outonos que já vivi.
  Mais que tudo, quero Maysas, Marias e Marisas cantando para mim enquanto você volta para casa sem me avisar.

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