sábado, 10 de março de 2012

Sede.

  Só quero ser a outra pessoa. O motivo das suas poesias. A razão pela qual você não dorme. Em certos momentos, tudo que eu queria era a situação invertida entre nós. Uma louca e inconsciente paixão por mim e meu descaso habitual. Seu cabelo bagunçado, a barba mal feita, e o tempo gasto pensando em mim.
  Queria que ela não existisse. Queria seus cigarros na minha bolsa e sua blusa esquecida na minha cama. Fotos tiradas durante a madrugada perdidas no meio das minhas cartas e usar seu perfume antes de sair de casa.
  Queria você divagando sobre a cor dos meus olhos e como resolveremos o problema da falta de tempo livre. Queria um daqueles sonetos bonitos falando sobre o jeito torto como eu deito na cama e durmo em silêncio. Daria meu mundo para estar no lugar dela. Ter você nos momentos difíceis, poder te ver chorar e dizer para ficar calmo, mesmo que no fundo seja louca para te ver surtar.
  Eu queria você assim, bobo, bobo... Do jeito que me faz sorrir. Queria você meigo de manhã, e irritado durante a tarde, pra de noite fazermos as pazes e voltarmos a nos amar. Queria você desse seu jeito e até um você menos você só para variar um pouco.
  Talvez... Por você eu até desistisse de todos os outros, deixasse meu ego de lado e me contentasse com só um amor. Me agarrasse a você como se fosse a última tragada, o último gole, o último orgasmo, minha última e única chance de ser feliz.

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