sábado, 18 de fevereiro de 2012

Pela Última Vez.

  Eu realmente estava me curando. Tudo doía menos, o mundo estava sépia através dos meus óculos, e o ar quente era doce. Saí da cama, comecei a andar devagar, tentei respirar fundo por algumas vezes e até sorri um pouco. O meu mundo longe, bem longe de você estava rodando com calma, me dando um tempo para fugir do desconforto da desolação moral que você deixou por aqui...
  Encontrei uma luz, um ponto de luz... Um farol para me guiar, para me encontrar. Com uma luz fraca, já desgastada pelas mesmas consequências que eu. O farol girava sem pressa, sem vontade de girar... Fui me aproximando devagar, andando na ponta dos pés para não me cortar no caminho. Admirava aquele mesmo farol de longe sem deixá-lo saber da minha vontade de correr até ele.
  Mas então você voltou, aparaceu por aqui, simplesmente invadiu minha falsa paz como um novo alguém e me tocou sem permissão. Chocou sua pele contra a minha, fundiu nossas essências sem ao menos dizer o que devia. O calor dos seus lábios me tirou do chão como sempre. Mas dessa vez... Dessa vez seus olhos não brilhavam. Onde estava aquele mesmo menino destemido, sonhador, com olhos negros nascidos de um eclipse? Onde estava meu anjo negro que me embalava em meio aos sonhos ruins? Aonde foi parar aquele doce olhar que me fez iludir por tanto?
  Não era possível. Não consegui acreditar. A chama da sua voz rouca realmente estava se apagando, sua cor pálida era ainda mais opaca. Seu cheiro se perdeu em meio ao caminho... Faltava pouco, bem pouco, para eu te perder de vez.

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