sábado, 25 de fevereiro de 2012

Diálogo de um fim de tarde.

[...] 
- Saudade... Saudade? Não conheço não senhor.
- Ora menina, que frieza nesse coração!
- Frieza... Pode ser... (pausa) Frieza... Não, não creio que posso concordar.
- Como não jovem menina?! Um coração sem saudade é um coração sem lembranças. É coração de gente vazia, sem momentos, sem amigos, nem sorrisos, sem dias terminando com o imponente Sol se indo, se guardando. Saudade nos revigora, saudade mostra que nos importamos; nostalgia; é reconhecer que os momentos valeram a pena, é reviver.
- Não, temo não conhecer tal sensação. Vivo de agora meu senhor. Agora e só agora.
- Menina, que é isso? E o que passou? E antes? E todas as manhãs que já se foram, trazendo o calor para te certificar de que está viva? E toda a chuva, e todo o vento do fim do dia? E o amor, e o amor?!
- Amor. Por que sempre o amor? Por que sempre os sorrisos? Sabe meu senhor, é esse o erro. É aí a falha. Sorrisos, amor, bem estar. É tudo mentira. É mentira meu senhor. Abra seus olhos, abra, veja a verdade. Saia da caixa, saia da caixa! É difícil não é mesmo? Reconhecer que é tudo ilusão. Nada passa de mentiras. Nada. Ninguém é só feito de sorrisos. Ninguém é completamente amor. Não são sempre os dias de Sol que vão te dar prazer. Aprenda meu senhor, aprenda que a vida na realidade é feita da dor. É feita dos cortes e de como você os cura. É mentira, meu senhor, pura mentira...
- Mas que rebeldia, pequena! Que houve contigo? Machucou-se no caminho?
- Você não entenderia, ninguém entenderia... Sou eu, sou... só eu.

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