quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Volte.

  Quero poder botar minhas mãos no seu rosto de novo. Olhar fundo, fundo nos olhos sem receio, e dizer o que nunca disse. Quero apertar sua mão mais forte que nunca, me jogar nos seus abraços e dormir no seu colo por mais uma vez. Quero acordar e ver sorrir o mesmo sorriso torto de sempre. Quero esbarrar nos seus livros e ver sua cara zangada de menino. Quero muitos, muitos beijos antes de dormir, e aquele carinho bobo no escuro. 
  Quero poder botar minhas mãos no seu rosto de novo. Percorrer todo ele com os dedos. Sentir seus cílios grossos e sua boca esculpida por anjos. Quero olhar fundo, fundo nos olhos sem chorar, e dizer que meu amor por você nunca vai morrer. Te lembrar que o que tem aqui dentro, é de verdade, é vivo. Vive em mim e me consome um pouco mais a cada dia. Se alimenta das minhas poucas esperanças e arde com uma certa maldade.
  Quero tanto, mas tanto, ouvir sua voz perdida pelos corredores, e sentir seu cheiro tomando conta das lembranças... Voltar ao dia em que te vi chorar, e poder perder meus dedos por entre o emaranhado do seu cabelo. Lembrar de como doeu em mim secar suas lágrimas, e de como um sorriso seu já me valia viver essa vida.
  Só queria te lembrar, te relembrar, que seu lugar ainda está guardado aqui, só te esperando voltar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Diálogo de um fim de tarde.

[...] 
- Saudade... Saudade? Não conheço não senhor.
- Ora menina, que frieza nesse coração!
- Frieza... Pode ser... (pausa) Frieza... Não, não creio que posso concordar.
- Como não jovem menina?! Um coração sem saudade é um coração sem lembranças. É coração de gente vazia, sem momentos, sem amigos, nem sorrisos, sem dias terminando com o imponente Sol se indo, se guardando. Saudade nos revigora, saudade mostra que nos importamos; nostalgia; é reconhecer que os momentos valeram a pena, é reviver.
- Não, temo não conhecer tal sensação. Vivo de agora meu senhor. Agora e só agora.
- Menina, que é isso? E o que passou? E antes? E todas as manhãs que já se foram, trazendo o calor para te certificar de que está viva? E toda a chuva, e todo o vento do fim do dia? E o amor, e o amor?!
- Amor. Por que sempre o amor? Por que sempre os sorrisos? Sabe meu senhor, é esse o erro. É aí a falha. Sorrisos, amor, bem estar. É tudo mentira. É mentira meu senhor. Abra seus olhos, abra, veja a verdade. Saia da caixa, saia da caixa! É difícil não é mesmo? Reconhecer que é tudo ilusão. Nada passa de mentiras. Nada. Ninguém é só feito de sorrisos. Ninguém é completamente amor. Não são sempre os dias de Sol que vão te dar prazer. Aprenda meu senhor, aprenda que a vida na realidade é feita da dor. É feita dos cortes e de como você os cura. É mentira, meu senhor, pura mentira...
- Mas que rebeldia, pequena! Que houve contigo? Machucou-se no caminho?
- Você não entenderia, ninguém entenderia... Sou eu, sou... só eu.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Bom Menino

Só quer o doce, a atenção, a caridade. 
Piedade, por nunca ter tido amor na verdade.


Corre solto, descalço, destemido.
Brilho nos olhos, o espírito desprendido.


Nada sabe, nada sente, desde então.
Nunca se importou, nunca tocaram-lhe o coração.


Não vasculhou por amor em nenhum lugar
Não possui o tal talento para amar.

É simples, fácil entender,
O menino só não quer crescer.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Ira.

Foi brotado da mentira.
Foi brotado da mentira.
Foi brotado da mentira.
Foi brotado da mente.
                                 Ira.
                               

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mais Um Pedido

  Tantas ilusões, tantos panos quentes tentando amenizar a dor, tantos sorrisos engolidos junto com o choro, tanto café derramado em meio aos soluços, tantas estrelas perdendo o brilho juntas...
  Já nem sei mais como me desculpar. São os mesmos erros. Faço questão de andar pelos mesmos corredores, seguir a mesma linha, olhar sempre pro mesmo lado. E caímos sempre na mesma posição. Nosso mundo gira sempre igual... No fundo, no fundo, estamos cansados. Só cansados. Essa vida não tem nos dado as recompensas que esperamos, não sorrimos mais do jeito que desejávamos, não temos mais os abraços perfumados que gostaríamos.
  A distância nos faz parecer menos ternos, mais desimportantes, ela desgasta nossos laços e abate nossas expressões. Mas eu te peço, te peço com todo amor que me cabe, não vá embora agora, não me dê as costas sem me deixar falar o que guardei por tanto tempo.

Pela Última Vez.

  Eu realmente estava me curando. Tudo doía menos, o mundo estava sépia através dos meus óculos, e o ar quente era doce. Saí da cama, comecei a andar devagar, tentei respirar fundo por algumas vezes e até sorri um pouco. O meu mundo longe, bem longe de você estava rodando com calma, me dando um tempo para fugir do desconforto da desolação moral que você deixou por aqui...
  Encontrei uma luz, um ponto de luz... Um farol para me guiar, para me encontrar. Com uma luz fraca, já desgastada pelas mesmas consequências que eu. O farol girava sem pressa, sem vontade de girar... Fui me aproximando devagar, andando na ponta dos pés para não me cortar no caminho. Admirava aquele mesmo farol de longe sem deixá-lo saber da minha vontade de correr até ele.
  Mas então você voltou, aparaceu por aqui, simplesmente invadiu minha falsa paz como um novo alguém e me tocou sem permissão. Chocou sua pele contra a minha, fundiu nossas essências sem ao menos dizer o que devia. O calor dos seus lábios me tirou do chão como sempre. Mas dessa vez... Dessa vez seus olhos não brilhavam. Onde estava aquele mesmo menino destemido, sonhador, com olhos negros nascidos de um eclipse? Onde estava meu anjo negro que me embalava em meio aos sonhos ruins? Aonde foi parar aquele doce olhar que me fez iludir por tanto?
  Não era possível. Não consegui acreditar. A chama da sua voz rouca realmente estava se apagando, sua cor pálida era ainda mais opaca. Seu cheiro se perdeu em meio ao caminho... Faltava pouco, bem pouco, para eu te perder de vez.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Flores Mortas

Você não pode ver. 
As manchas do sangue que meu coração não vai mais bombear. 
Você não pode ver.
As cicatrizes adiantadas para diminuir a dor. 
Você não pode ver. 
As flores mortas que eu ainda guardo. 
Você não pode ver. 
As unhas roídas de ansiedade, contando os minutos para fugir. 
Você não pode ver. 
As olheiras fundas de noites interrompidas. 
Você não pode ver.
A cinza dos cigarros no canto da janela. 
Você não pode ver. 
Os fios de cabelo cortados que caíram aos pés da penteadeira.
Você não pode ver.
Minha pele lanhada pela agonia.
Você não pode ver.
A dor agarrada na minha garganta.


Você pode, não ver.
Pode não me ver.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Agridoce

  Já estou me tratando. Me cuidando, me curando. Num processo lento e solitário, sutil e eficaz. Troquei sentimentos agressivos, por outros, pouco mais passivos. Seu lago escuro e profundo, se transformou em um céu negro, cheio de estrelas que brilham, brilham muito, não mais por mim, mas ainda têm a mesma intensidade em sua luz. 
  Enquanto eu me abrigo, num horizonte limpo, afastado das lembranças e das cores, você vai traçando suas linhas finas em outros colos. Marcando sua cor em outras peles, tocando a mesma música, com ritmos diferentes.
  Mas tudo bem... Vou girar meu mundo devagar, reaprender a respirar, recriar minha fortaleza pra um dia voltar a andar sobre o mesmo vidro fino sem sentir insegurança.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mais uma vez, amor.

  Quem sabe, nem seja amor. É... Vai ver nem mesmo era amor. Quem sabe, era só mais alguém passeando pela minha cabeça... Vai ver, dei importância demais a coisa pouca. 
  A parte mais irônica de tudo é saber que você nem liga. Que você realmente não se importa. Irônica? Triste. Saber que por mais que eu mova o mundo por você, você simplesmente me quer bem. Nada de amor, nada de lealdade, nada de apego. 
  Carinho... É só isso. Carinho. De que adianta carinho, se por dentro, se aqui, no fundo eu preciso de muito mais? Droga, que droga você é. Vício que eu não posso largar ainda. Eu realmente preciso de você. Da sua cor pálida, dos seus arrependimentos, da sua sombra, do seu descaso. Preciso desesperadamente. A cada minuto.
  Morreria. Sim, claro, óbvio. Morreria por você. Com você. Não me importa. Só quero um pedaço meu aí dentro. Quero que você mais do que me queira bem, sinta minha falta. Me procure por todo canto. Corra descalço sentindo as dores de tentar me encontrar. Assim como eu senti. Tenta... Pelo menos tenta sonhar comigo mais uma vez.
  Amor ou não, falta muita coisa em mim longe de você.