sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E então eu acordei.

  Eu acordei cansada da vida. Cansada da minha vida. Cansada de respirar o mesmo ar, cansada de rodar no mesmo sentido, cansada de ver as coisas caírem sempre na mesma posição.
  Cansada de ouvir as pessoas gritando os mesmos refrões sem ao menos saberem o real significado deles. Cansa de ver sentimentos escorrerem pelo ralo durante banhos mal tomados. Cansada de usar todas as armas e todas as drogas sem obter prazer. Cansada de sentir a mesma dor interna das mesmas decisões mal pensadas. Cansada do mesmo gosto amargo todos os dias, depois de um café frio. Cansada do mesmo Sol insensível castigando multidões desconhecidas. Cansada da mesma propaganda sem nexo em prol de um mal comum. Cansada da mesma cor pálida, falsamente adocicada em rostos seletos.
  Estou cansada de ter que vestir um velho fardo, que não me acomoda. Cansada de ver o dia chegar, e pensar que o ontem já se deitou. Cansada de ser pequena demais para alcançar o que eu quero. Cansada de abrir os lábios e não escutar som algum. Cansada de me segurar forte demais e me rasgar. 
  Cansada de tanta discrição, tanta sutileza, tanta cautela para não acordar ninguém. Cansada de andar na ponta dos pés e sentir dor entre os dedos. Cansada de esperar por um sorriso que nunca, nunca mais vai voltar. Cansada de desacreditar das minhas próprias palavras. Cansada de calçar os mesmos sapatos desde sempre.

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