terça-feira, 31 de janeiro de 2012





Tão distante,
Tão difícil.

Muito amargo,
Muito forte.

Um tanto
des
confortável,

Sem você aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma explicação ao mesmo doce Daniel:

  Não Daniel, se pudesse não viveria para sempre. Nem mesmo ao seu lado. Eu quero sim morrer. Algum dia... Algum dia eu quero me deitar sobre todo o passado e abrir meus olhos. Abrir os olhos para o que eu não pude ver enquanto vivia. Dar razão a explicação nenhuma que me deram, ou que deixei de descobrir.
  É tudo tão pequeno... Com tão pouco valor... Não há motivos para tentar um 'para sempre'. Não há porque se prender a nada por aqui. Será que você não percebe? Não vê que nada disso vale a pena?
  Quero não ter mais pendências. Quero que de repente, tudo acabe. Acabe rápido, sem que me dê conta. Tanto a parte boa como a ruim. Quero poder não sentir, não sentir mais nada nunca mais. Quero poder matar meus pensamentos aos poucos, até não restar mais nenhum... Quero sim algum dia, estar vazia, oca por dentro. Simplesmente parar de funcionar.
  Afinal, a eternidade não me serviria de qualquer modo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E então eu acordei.

  Eu acordei cansada da vida. Cansada da minha vida. Cansada de respirar o mesmo ar, cansada de rodar no mesmo sentido, cansada de ver as coisas caírem sempre na mesma posição.
  Cansada de ouvir as pessoas gritando os mesmos refrões sem ao menos saberem o real significado deles. Cansa de ver sentimentos escorrerem pelo ralo durante banhos mal tomados. Cansada de usar todas as armas e todas as drogas sem obter prazer. Cansada de sentir a mesma dor interna das mesmas decisões mal pensadas. Cansada do mesmo gosto amargo todos os dias, depois de um café frio. Cansada do mesmo Sol insensível castigando multidões desconhecidas. Cansada da mesma propaganda sem nexo em prol de um mal comum. Cansada da mesma cor pálida, falsamente adocicada em rostos seletos.
  Estou cansada de ter que vestir um velho fardo, que não me acomoda. Cansada de ver o dia chegar, e pensar que o ontem já se deitou. Cansada de ser pequena demais para alcançar o que eu quero. Cansada de abrir os lábios e não escutar som algum. Cansada de me segurar forte demais e me rasgar. 
  Cansada de tanta discrição, tanta sutileza, tanta cautela para não acordar ninguém. Cansada de andar na ponta dos pés e sentir dor entre os dedos. Cansada de esperar por um sorriso que nunca, nunca mais vai voltar. Cansada de desacreditar das minhas próprias palavras. Cansada de calçar os mesmos sapatos desde sempre.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Carta a Daniel.

  Se pensar em se aproximar, mude de ideia. Caso pense, que vir me abraçar será bom, esqueça. Não pense que porque eu choro agora, quero que alguém venha secar minhas lágrimas. 
  Não me entenda mal... Não é arrogância, muito menos quero ser rude. Só quero que entenda que me amar agora não vai te fazer bem. Não quero amor nenhum agora, não quero alguém se preocupando com meu descuido contínuo. Então doce Daniel, vá viver sua vida, começar a construir um futuro agradável para você e saiba, que não te peço isso por mal. Só não quero te ver se machucando.
  Você, só você é certo para mim. Mas agora, agora é a hora errada... Não apareça agora. Eu te amo de verdade, vejo cada pedacinho de você se encaixar em mim, mas me deixe errar. Por favor, me deixe andar descalça e cortar os pés. Eu preciso viver antes de me unir em um "para sempre" mentiroso com você.
  Quem sabe, mais tarde, depois que o Sol se pôr, eu apareça por aí, pra te convidar a fazer parte da minha vida.

Até tudo acabar

  Sabe, nada precisa fazer muito sentido para que eu acredite. Nada precisa ser muito certo ou perfeito pra ganhar minha atenção...
  Não preciso de todo o conforto nem todo o carinho. Não preciso que me olhe e me diga o quanto gosta de mim ou o quanto me quer bem. Não preciso que venha até aqui saber como eu estou, muito menos que fique parado, chorando, me assistindo ir embora sem nem olhar para trás.
  Não quero que repare que eu cheguei mais cedo pra te ver por mais tempo ou que escreva dezoito poemas sobre o meu rosto. Não quero que reze por mim ou pense dez vezes antes de mandar um 'sinto sua falta' por sms.
  Só o que eu quero, só o que eu preciso, é que você deixe eu fazer isso por você. Pelo resto da minha vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Chuva

  A maquiagem dos olhos estava borrada. As lágrimas estragaram o contorno negro de suas pálpebras. O cabelo estava embaraçado, desprendido e selvagem, assim como seu coração. Os pés descalços e suas unhas rubras como sangue, contrastando com a pele branca intocada. Os lábios entreabertos apoiavam um cigarro de marca barata e guardavam um brilho perolado do que antes fora o batom mais convidativo e provocativo possível.
  O cinza dos olhos se perdia lá fora, através da janela. Cotovelos apoiados no parapeito, que não lhe passava nenhuma segurança. Seu corpo nu fazia o mundo todo parecer menos atraente. Tinha seu próprio brilho durante a noite. Sua própria sinfonia.
  Batia levemente o cigarro na janela e assistia as cinzas alaranjadas caírem os onze andares ao encontro do chão e irem se ofuscando pelo trajeto.
  Não queria pensar em nada, mais nada, não queria lembrar do que vira, do que ouvira, do que sonhara, do que sentira. Queria trancar dentro de si tudo o que tinha acontecido. Esconder tudo lá no fundo, lá dentro, antes que seus pensamentos mais sãs resolvessem despertar. Uma brisa um pouco mais fria, que a relembrava da solidão, invadia sua janela, e então, mais uma lágrima descia pelas maçãs do rosto em direção a seu pescoço. Passava pela clavícula perdendo forças, até que uma outra chegava para fortalecê-la, e então mais outra, e mais outra, e assim as lágrimas se perdiam em seu ventre. Sentia os soluços chegarem à sua garganta sem perdoarem-na.
  Decidiu parar de chorar. Secou os olhos com as costas da mão, deixando marcas pretas entre os dedos. Respirou bem fundo e mordeu o lábio inferior, na tentativa de evitar mais soluços e estancar as lágrimas.
  O ar ficou pesado. Uma brisa úmida passou por seus cachos mal feitos e ela fechou os olhos. Rezou silenciosamente para que chovesse. Que chovesse por dias e dias. Para que a chuva alagasse ruas e vielas, impossibilitando as pessoas de saírem. Que ela se sufocasse dentro de si mesma, enquanto a água divina escorresse por sua vidraça. Que todo o resto, todo pedaço rejeitado do paraíso caísse com essas gotas.
  Um fio de luz já aparecia no horizonte. O céu não era mais tão escuro, o mundo lá fora não era assim tão podre, seus problemas não eram tão significativos quanto pareciam e seus cortes já pareciam querer sarar. Acendeu mais um cigarro e esticou os braços para fora da janela. Queria sentir o primeiro traço de calor da manhã. Então, uma única gota... Uma gota solitária beijou a ponta de seus dedos.
  Seria esse, o começo de um recomeço...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cinza

  Não lavei a roupa. As compras ainda estão nas sacolas. O café velho ainda marca o fundo da sua xícara, borrada com meu batom pêssego. Os móveis da sala ainda formam um semi-círculo para dançarmos depois do jantar. Os cinzeiros estão lotados e a pia ainda pinga no mesmo ritmo. A TV está fora da tomada, assim como o rádio. O único som que se escuta é o teclar da máquina.
  Meu cabelo despenteado se embola em torno de um grampo que o mantém no alto, deixando meu pescoço livre para que eu possa respirar. As unhas roídas caídas pela mesa remoem minha insegurança e minha anciedade, banhadas pela cafeína de toda a bebida que consumi. Olheiras fundas vigiam meus olhos para não deixá-los enxergar demais.
  O tempo passa, eu nem me importo mais. Tirei a pilha dos relógios. Vem dia, vira noite, madrugada e manhã, e eu nem me mexi. Nada mudou. Os sinos batem no mesmo ritmo, as antenas sintonizam os mesmo canais, os livros estão marcados nas mesmas páginas. Nada, nada mudou. A casa tem o mesmo cheiro, as cortinas a mesma cor, a água a mesma temperatura e a campainha o mesmo som.
  Depois de te ver ir embora, aqui dentro, tudo continua cinza.
  


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Um Outro Alguém

  Difícil de acreditar. Difícil de fazer meu coração entender. O cérebro já sintetizou, a mensagem já entrou. Mas o coração não quer aceitar. Não quer conviver com esse fato. Parece mentira... Quem dera fosse.
  Tenho certeza, pelo menos espero, que seu novo amor vá cuidar de você. Que seu novo amor saiba bagunçar seu cabelo pra te dispersar dos pensamentos errados, que seu novo amor consiga te abraçar por cima dos ombros como você gosta e que ele saiba fazer o mesmo carinho na nuca que eu fazia em você.
  De verdade, quero que seu novo amor entenda que quando você sai e deixa alguém falando sozinho, não é pra irritar, ou magoar. É só pra não piorar a discussão. Espero que seu novo amor aprenda a cantar pra você todos os blues que cantávamos juntos. Espero que seu novo amor também faça a cada dia um poema mentalmente sobre o simples fato dos seus olhos serem tão penetrantes e destemidos.
  Que seu novo amor também pare meio mundo só para te ver. Que seu novo amor também passe exatos 16 dias sem sair da cama pelo simples fato de não poder te ver e que ele faça tudo isso e não te conte para não te deixar mal. Que ele te ame bastante a ponto de estar passando a maior barra e não te contar nada, para não te preocupar.
  Só espero que você tenha ido embora, viver com um alguém que saiba a hora de se calar e assistir você chorar só te acalentando pelo olhar. Alguém que não reclame das suas manias sem sentido e do seu mau humor nas quartas-feiras. Alguém que passaria o resto da vida simplesmente assistindo você crescer e rindo à toa, só por poder estar ali, bem perto.
  Um alguém, que assim como eu, reze todas as noites, sem exceção, para que no final, no final de tudo mesmo, seu lugar no paraíso esteja guardado. E você se perca por lá. Encontre a paz que tanto procurou.
  Mas sabe, se esse seu novo amor não for tudo isso, não for nada disso, que você pelo menos seja feliz. Encontre a felicidade em simplesmente olhar para ele a cada fim de tarde. A mesma felicidade que eu um dia vi em seus olhos.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Eternidade

"- Você me ama?
 - Amo.
 - Para sempre?
 - Não. 
 - Por que não?
 - Não acredito no para sempre. Nada é eterno durante a vida... A única coisa eterna é a morte. É na morte em que confio. É o único ponto imutável da vida.
 - Quer dizer que me amará até a morte?
 - Sim. Eu te amo. Agora. Depois não se sabe.
 - Pois eu não. Te amo mais do que posso suportar. Te amo mais do que preciso de ar. Um amor tão grande, que morreria por você. Morreria para salvar a eternidade desse meu sentimento.
 - E por que não aproveitar o agora? Provar cada gota desse amor, cada voto de admiração. A união de nossos corações. O seu ainda virgem, tão puro, tão doce, bombeando um sangue tão jovem, que poderia beber dele. A união do seu coração ao meu. Um coração maltratado, vendido, prostituído e acabado. Sem suas batidas suaves por perto, tenho certeza de que já teria desistido. Nunca tentaria remendá-lo. Aproveitemos enquanto ainda nos restam os dias de Sol, os acalantos que nos ninam durante a noite. Não vá, fiquemos aqui, sentindo tudo. Só por mais um pouco.
 - Mas e a eternidade?
 - Vivamos a eternidade desse momento."

sábado, 7 de janeiro de 2012

Paraíso

Tenho medo de correr.
Correr e tropeçar.
Tropeçar e cair.

Cair e chorar.
Chorar e soluçar.
Soluçar e perder o ar.

Perder o ar e sentir dor.
Sentir dor e me recolher.
Me recolher e não me levantar.

Não me levantar e me calar.
Me calar e ver as nuvens chegando.
Ver as nuvens chegando e sentir as primeiras gotas.

Sentir as primeiras gotas e abrir a boca.
Abrir a boca e sentir o gosto do céu.
Sentir o gosto do céu e imaginar o paraíso.

Imaginar o paraíso e sorrir.
Sorrir e perceber um a coração bater.
Perceber um coração a bater e me levantar.

Me levantar e correr.
Correr e fugir.
Fugir e encontrar meu paraíso.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Último amor


  Talvez... Bom, talvez você esteja realmente me evitando. Talvez você esteja querendo não ter que olhar nos meus olhos e admitir o que está acontecendo conosco. Por algum motivo você prefere cegar seus olhos e não assumir que as coisas estão complicadas. De algum modo, talvez prefira manter suas mãos longe de mim e nossos laços partidos. Se trancar no seu mundo e pronto. Ficar lá sentindo minha falta como se a culpa não fosse nossa. Como se o fato de estarmos tão vazios, tão longe um do outro, não passasse de medo.
  Medo de demonstrar o quanto nos queremos, o quanto fazemos bem um ao outro. Sei que você derramou tantas lágrimas quanto eu. Sei que você não dormiu nas noites em que eu também estive acordada. Nós dois sabemos muito bem que todo esse sofrimento, toda essa complicação é desnecessária. 
  Mas então, eu te pergunto, de que adianta tanta insegurança, tanto desencontro, tanta preocupação, se no fundo do que nós precisamos é simplesmente ter um ao outro? Se for para amar com dor, que seja esse então, meu último amor.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um breve conselho

  (...) Então você me disse: Sorria! Olhe pro espelho, olhe à sua volta, o que te impede de ser feliz? O que te impede de sorrir? Sorria, vá, alegre-se. Se não for por você, que seja por mim. Deixe-me ver esse sorriso tão gentil que anda escondendo... 
  Chorar pela distância? Chorar pelo mundo não ser como deseja? De que adianta? Ande menina, enxugue essas lágrimas, retoque a maquiagem, recupere seu brilho! Enquanto se ocupa sentindo as dores dessa suposta solidão, o mundo ainda gira no mesmo ritmo de sempre. Enquanto sufoca e apaga suas gargalhadas, o Sol surge e se põe como sempre. Se fechar os olhos com medo durante a tempestade, nunca verá o arco-íris.
  Que tal cessar o sofrimento, a dor, a infelicidade de estar longe do seu amor e finalmente viver? Não se esqueça de que ainda há uma vida pela frente. Uma vida que só você pode guiar. E com certeza não será feita de sonhos destruídos, desilusões, desejos mal feitos ou amargura. Venha, venha sorrir ao meu lado.



domingo, 1 de janeiro de 2012

Tormenta.

  As pessoas se aquietam, se acalmam, se calam, se recolhem aos poucos. Os corações vão batendo mais devagar, as respirações mais profundas, os membros menos agitados, os olhos pendem e se fecham, e então, acabou. Todos mergulham numa hipnose mútua enquanto eu, estou cá a trabalhar a mente.
  Corpo tão imóvel quanto qualquer um, mas minha mente não para. Nenhum segundo. Sempre duvidando, avaliando, pretendendo, confirmando, certo, errado, bom, ruim, agora, depois, agir, esperar, repensar, ignorar, esperar, aguçar, sossegar...
  Nunca se tem paz quando o assunto é o que está dentro da minha cabeça. Uma mente não muito sã, talvez não muito confiável, mas é daqui que vêm as melhores ideias. Dormir, descansar o corpo, não é prioridade agora. O mundo todo pode descansar, mas eu me recuso. Quando o que você procura está guardado dentro, quando a resposta, a solução, só você pode encontrar, não há motivos para se importar com o por fora.
  O que eu quero ver é o interior das pessoas. Pouco me importa a casca. O que eu quero é invadir cada ideia, cada interpretação do mundo. Ideias divergentes, conflitos mentais. Discussões, argumentos, opiniões. Quero gente pensante, gente com sede, gente com fome, não gente com sono. Não gente cansada demais para pensar, para progredir.
  Os melhores, não dormem. Nunca.