sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sonho.

  Um sonho lindo, onde tudo dava certo. Não havia discórdia, ressentimento, arrependimento, ilusões, medo, insegurança ou desamor.
  Um sonho doce, no qual você estava aqui sempre que eu me sentia só. Toda vez que eu olhava pro lado, você estava ali. A distância não atrapalhava em nada, a saudade não existia mais. O sentimento de culpa por não ter dito um único "eu te amo" pessoalmente não morava mais em mim.
  Eu demorei a perceber. A perceber não, a admitir. Admitir que o que eu sentia era realmente amor. Ah, se eu pudesse voltar no tempo... Refazer tudo um pouco mais cedo, correr pros seus braços antes que eles estivessem longe demais, sentir seu coração bater bem perto do meu antes que ele não batesse mais por mim.
  Mas foi só um sonho. Um misto de lembranças e desejos, que talvez eu nunca mais volte a presenciar.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Detalhes

  Não se sinta sozinho, não.
  Não crie problemas, não.
  Não falsifique sorrisos, não.
  Não minta para eles, não.
  Não ignore a você mesmo, não.
  Não os perca de vista, não.
  Não se abale por pouco, não.
  Não fuja do amor, não.
  Não se julgue como louco, não.
  Não encontre as mágoas, não.
  Não vá embora, não.
  Não pense que nada sabe, não.
  Não tema o espelho, não.
  Não se machuque de propósito, não.
  Não teste limites, não.
  Não ouça o que dizem, não.
  Não se preocupe com cicatrizes, não.
  Não caia na desistência, não.
  Não termine com o que não começou, não.
  Não ache que vou te abandonar, não.
  Não duvide do meu amor, não.
  Não insulte o para sempre, não.
  Não finja que não acredita, não.
  Não admita que perdeu, não.
  Não repare em detalhes, não.
  Não me ame tanto, não.
  Não olhe para baixo, não.
  Não se perca no caminho, não.
  Não fuja, não.
  Não tema o despreparo, não.
  Não se mate, não.
  Não acabe conosco, não.



Fim

  Estou caída. Meu coração insolente bate devagar, com toda a força que ainda lhe resta. Só escuto o som da minha respiração, mais nada. Faço todo o esforço possível para abrir os olhos, mas ainda não consigo. Meus membros entorpecidos se negam a responder meus comandos. Meu corpo pesa contra o chão.
  Mas o que está havendo? Há pouco era tão jovem, tão sadia e tão reluzente, como pode todo o brilho se ofuscar assim? O que foi que eu perdi, o que foi que eu fiz para me encontrar em tais condições?
  Por fora, estou intacta, perfeita, funcionando normalmente como deveria. Já por dentro, venho definhando, morrendo, acabando, me dissolvendo aos poucos, chegando próxima ao meu fim.
  Depois de tanto peso, dor e o mesmo sentimento de impotência perante a mim mesma, uma sensação de leveza me invade. Liberdade, finalmente liberdade. Livre de todos os fardos que carregava. Livre dos meus próprios pensamentos. Acabou, tudo terminou. Cheguei ao meu tão esperado fim.




Girando

  Foi só mais um dia perdido, desperdiçado, um dia inteiro, gasto pensando, pensando, pensando, pra chegar a lugar nenhum. Pra chegar a conclusão de que na verdade, eu não controlo nada. 
  O mundo, o meu mundo pelo menos, está fora de controle. Não que alguém coordene o que acontece, não que eu tenha dado o controle a alguém. Ele simplesmente está sem governantes. Girando por si mesmo, o tempo passa sem pedir permissão. As pessoas vêm e vão sem nem olhar nos meus olhos. O dia vira noite e eu nem me mexi. Não parece que estou vivendo, estou simplesmente sobrevivendo.
  As coisas vão mudar, logo.



Só você II

  Tantas noites mal dormidas que já até perdi a conta. Tantos problemas mal resolvidos que já desisti de correr atrás. Tantas discussões intermináveis que eu simplesmente me calo. A comida que simplesmente não desce. Tantos planos inúteis que eu nem fecho mais os olhos pra pensar.
  O mundo está rodando ao contrário do que eu esperava, e parece que nada que eu faça vai fazer a situação se reverter. Eu já estou cansando. Não quero mais sonhar, se ao abrir os olhos não vou chegar nem perto de realizar tudo. Não quero mais discutir, se as coisas não vão mudar. Não quero correr, se não vou a lugar nenhum no fim das contas.
  O que eu quero é conseguir dormir durante a noite, o que eu quero é conseguir me olhar no espelho e não chorar, o que eu quero é não te amar tanto, de modo que eu mesma me machuque, o que eu quero é não me odiar tanto por nunca alcançar o que eu esperava. O que eu quero é que você se importe comigo, o que eu quero é não ter que fingir que acredito de verdade que tudo vai dar certo.
  Cansei de tudo. Eu quero você, só você.








segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Insegurança

  Poderia continuar a falar dos seus olhos, do seu sorriso, do seu cheiro, do seu carinho, do seu abraço e de toda a infinidade de coisas boas que eu vejo em você. Mas nenhuma palavra que eu diga, vai conseguir descrever o quanto é bom somente estar ao seu lado.
  Posso tentar explicar de todos os modos, mas ainda não vou conseguir fazer você entender tudo que se passa na minha cabeça. O quão importante é você para mim.
  Tenho um receio imenso de te perder. Um receio imenso de fechar os olhos e quando abrir ver que você não está mais aqui. Pior ainda, que nunca esteve.
  Mas meus braços estarão sempre abertos. Tanto para te acolher, quanto para te deixar livre para seguir com a sua vida. Só te peço que não me deixe desavisada. Não me deixe no escuro. Quando tudo acabar dentro de você, me avise, para que eu guarde tudo que há dentro de mim.




Ilusões III

  Foi instantâneo. Te ver e sentir que precisava de você sempre. Precisava do seu sorriso, do teu olhar, das suas palavras mansas que que me confortavam, mesmo que doídas, tristes, talvez até mentirosas, ainda eram suas, ainda era você ali.
  Mas o tempo passa, as coisas mudam, os sentimentos se desgastam, e agora, Os refrões não serão mais cantados, as fotos serão queimadas, as feições serão esquecidas, as declarações se manterão dentro de nós. As lágrimas secarão e os olhares vão se desencontrar, se perder por aí... O mundo se tornará um pouco mais cinza, as cicatrizes vão parar de doer e sempre haverá uma marca para me lembrar de tudo mais tarde. Meu lar se tornará um pouco mais morno quando você morrer dentro de mim.
  Meu coração confuso, perdido, esgotado, só me traz mais dor. Seu olhar doce não me pertence mais. Seu carinho, seu afago por entre os lençóis, sua voz meiga. Está tudo perdido. Tudo mesmo. Sua cor escorreu por entre meus dedos e eu não pude me esticar para te alcançar de novo.
  Mas seu beijo ainda está preso à minha boca. Seus braços ainda estão à minha volta e seu olhar encontra o meu vendo quem eu sou por dentro. Seu sorriso ilumina meu rosto e é impossível não me sentir no paraíso.
  Só espero que isso seja mais que uma brincadeira para você.




domingo, 25 de dezembro de 2011

Coração

  Não vale a pena. Não mesmo. Tentar mudar o mundo por você, me machucar para não ver você cair, derramar minhas lágrimas pra nunca te ver chorar, contrariar o mundo para concordar sempre com você. 
  Não vale a pena largar os meus sonhos, mudar minha forma de pensar, de agir, só para tentar fazer com que você não desista de mim tão fácil. Não é certo deixar minha vida de lado para tentar amenizar as dores da sua, esquecer de mim para lembrar de você.
  Só que por mais que eu repita pra mim mesma mil vezes que não vale a pena, não vale a pena, não vale a pena, não vale a pena, eu ainda vou correr atrás de você até conseguir um "eu te amo" falso, que vai me fazer suspirar durante a noite.
  Isso não é amor. É medo. Desespero. Insegurança. Porque talvez, nunca mais vou achar alguém que faça eu me sentir desse jeito. Porque talvez, pela primeira vez eu tenha mostrado meu coração a alguém que já colecionava muitos e agora, ele pode cair e rachar a qualquer momento. Foi esse meu erro maior. Esconder ele, guardar por tanto tempo, proteger tanto, que por algum motivo, ele resolveu se libertar, sair, me dar motivos verdadeiros para querer viver.
  Não se pode trancar um coração por muito tempo.







sábado, 24 de dezembro de 2011

Dentro.

  Fechar os olhos. Quem dera, poder fechá-los sem ter que abri-los novamente.... Me despedir do mundo, entrar em um coma profundo, me alienar de tudo que acontece à minha volta. Me abster de todas as sensações boas e ruins, morar dentro de mim mesma, viver de sonhos, nunca mais voltar à realidade. Quem me dera, poder simplesmente fechar meus olhos e sumir. Acabar com tudo. Largar tudo que já vivi e o que poderia ainda viver. 
  Achar um túnel que leve ao meu interior e parar bem no meio. Estatizar ali. Não seria preciso ir mais longe ou recuar um pouco. Me conformar com metade do caminho e estacionar ali eternamente. Dirigida não por mim, mas ligada no automático. Parar de tentar me guiar e simplesmente ir, ir sem ver para onde...
  

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Medo

  O problema é que a gente não escolhe. Simplesmente acontece... Um abraço um pouco mais apertado, um sorriso um pouco mais gentil, e quando vemos, já não ficamos tão bem sem aquele mesmo olhar por perto.
  Eu sinto medo, não vou mentir. Sinto muito medo de me machucar de novo. Medo de não ser tão forte quanto eu penso que sou, medo de te magoar, medo de me perder, medo de que dê tudo errado. Talvez tenha até medo de que dê tudo certo e eu não saiba aproveitar como realmente deveria.
  Medo de assumir que preciso de você, quando você não precisa de mim. Medo de olhar no espelho e não me reconhecer mais. Medo de que um dia eu olhe para trás e perceba que perdi muito tempo apenas sentindo medo.
  


Bem no Fundo

  Não vou dizer que te amo. Não tão fácil assim.
  O que eu amo é o seu sorriso. Um sorriso que fascina naturalmente.
  O que eu amo é o jeito que você me olha como se eu pudesse realmente ser quem você precisa.
  O que eu amo é o modo como seus olhos brilham quando você fala do seu futuro.
  O que eu amo é o fato dos seus braços estarem sempre por perto me dando segurança.
  O que eu amo é cada centímetro do seu rosto que eu reconheceria mesmo em meio a uma multidão.
  O que eu amo, são seus lábios, tão doces e tão ternos, que prenderia os meus aos seus para sempre.
  O que eu amo, é poder escutar sua voz e ter a certeza de que você é real.
  O que eu amo é o carinho que só você sabe fazer em mim.
  O que eu amo, é o seu toque, tão macio como o de um anjo.
  O que eu amo é o que você faz comigo, me obrigando a pensar em você a cada minuto.
  O que eu amo, é olhar as suas fotos tarde da noite e tentar imaginar como alguém pode carregar um sorriso tão perfeito.
  O que eu amo é seu jeito tão errado que me deixa tão certa do que eu quero.
  Mas ainda não, não vou dizer que te amo, por mais que bem no fundo esteja certa disso.