sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um Estranho no Meu Mundinho

  Foi tão rápido. Você entrou quietinho, devagar, meigo, e foi ocupando cada dia um espacinho maior no meu coração. Foi tomando conta dele, me passando confiança, se preocupando comigo, escutando minhas palavras em horas que nem eu mesma queria escutá - las, me entendendo perfeitamente em horas que eu sentia como se eu não me encaixasse direito no mundo...
  Você entrou na minha vida e não sei porquê eu simplesmente deixei, sem exitar. Te mostrei tudo o que guardava dentro de mim, te contei todos os medos, as dores, as falhas, as verdades, as conquistas, as alegrias e até as decepções que mais doeram em mim. Eu simplesmente peguei meu coração e entreguei nas suas mãos. Não me pergunte qual o motivo, pois nem eu sei. 
  O mais engraçado é que o tempo nem passou tão depressa pra gente e quando eu vi, você já estava lá, dentro da caixinha do " para sempre " sorrindo pra mim. 







                                                                                        Dedicado ao meu mais novo irmão, Matheus Portugal Lopes.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Tempo.

  É, o tempo tem curado meus cortes... Lavado as partes escuras dentro de mim, me deixado mais leve, amenizado as cicatrizes e tirado um pouco da dor no meu peito. Ele, tão paciente, tem me deixado pensar com calma, decidir, me organizar...
  E agora, com o coração apaziguado de todo o sofrimento, eu consigo respirar bem melhor, ver um futuro mais claro, entender o passado e descobrir que é o presente que importa de verdade. E no fim das contas, era só disso que eu precisava. Tempo. Pra descobrir que depois de tudo ainda é possível acordar com um sorriso no rosto...




segunda-feira, 25 de julho de 2011

Ilusões II

  É engraçado esse meu medo de perder o que nunca foi meu... Esse receio de não ter você comigo todos os dias, mesmo que eu nunca tivesse tido você de verdade. Essa minha necessidade de te olhar todos os dias, de falar com você, de me agarrar a um mísero boa noite a cada fim de tarde.
  Talvez esteja exagerando, vendo promessas onde só há palavras, sentimentos onde só há compreensão, vendo um futuro feliz onde só há um presente agradável... Mas tudo isso vale a pena, se é pra esquecer de um passado cheio de dor e mágoas.




quinta-feira, 21 de julho de 2011

Equilíbrio

  Quem sabe vocês estejam certos. Talvez eu esteja mesmo chegando a níveis de insanidade, abusando de excessos, errando de propósito. Me machucando só pela curiosidade de saber até onde eu vou aguentar a dor sem demonstrar. Quem sabe eu realmente precise de um tratamento. Pois estou ficando cega novamente, ou talvez só esteja fechando meus olhos...
  Do nada tudo ficou mais perigoso. O privado virou público, as verdades foram descobertas mentiras, os sonhos levados embora, banhados por lágrimas. Os corações destruídos pela verdade, as pessoas machucadas por palavras, atos impensados que terminaram em sangue e todo o amor empurrado pra dentro de um baú e escondido do fundo do armário.
  Existe uma linha tênue na minha vida entre o "eu" e o "outros" na qual eu tento sempre caminhar, pois me parece que nenhum dos dois lados é tão confiável para se estar todo o tempo. Mas eu ando perdendo o equilíbrio e pendendo pros lados... Meu medo é de cair e não conseguir voltar a me equilibrar...



quinta-feira, 14 de julho de 2011

Liberdade.

  Eu admito. Eu perdi. Não quero mais fingir que sou boa nesse jogo, porque não sou. Não vou mais mentir, não vou mais tentar me enganar, não vou mais fugir da verdade. Simplesmente desisto, porque a persistência não é lá minha melhor amiga. Já perdi tantas vezes, que eu desisto. Eu que sempre achei estar por cima, descobri qual é de verdade a minha posição.
  Cansei de me esconder pra tentar não machucar as pessoas e acabar me machucando no final. Se eu já sei que não vai dar certo, então pra que me enganar tentando? A verdade é que eu nunca vou chegar no final com um sorriso verdadeiro no rosto. Então que eu lide com isso.
  Não vou mais cantar se minha vontade é morrer. Não vou mais te dar a mão se minha vontade é te empurrar de um precipício e não vou mais dizer que te amo, se nem mesmo o amor eu conheço. Nem me calar eu vou se minha vontade for gritar. Não aguento mais toda essa repressão a favor dos outros. Chega. Agora sou eu quem vai cuidar de mim. Vou me libertar a cada dia, quando chorar, quando gritar, quando lhes enfrentar, quando ouvir minha própria voz me indicando o caminho.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Superando Você

  Eu já tinha desistido. Já não via mais a luz de onde eu me encontrava, meu coração fraco batia lentamente, sem vontade de me manter viva. Não encontrava força nem vontade de levantar e tentar seguir. Sem você não fazia sentido respirar, me sentir feliz, receber carinho de alguém, ou amar qualquer outro que não contesse sua áurea que me iluminava todas as noites.
  Mas um estranho apareceu na minha vida. Ele caminhava pelo mesmo caminho escuro que eu. Tinha as mesmas cicatrizes, as mesmas marcas, o mesmo sorriso destruído por mentiras e ele me deu a mão. Começamos a caminhar juntos e nossas almas apagadas, juntas, formaram um pequeno fio de luz fosca que com o tempo vai crescer e formar algo muito maior.
  E nesse dia, eu jurei que não vou mais sofrer. Vou fazer meu coração bater o mais rápido que ele aguentar, vou respirar todo o ar que puder roubar do mundo, vou correr até minhas pernas se cansarem, amar a todos que me amarem também. Vou viver minha vida como se a tristeza fosse apenas uma lembrança remota de um passado confuso.
  Eu ainda te amo, e sempre vou amar, mas quero lembrar de você como alguém que me fez sorrir todos os dias enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas de dor.


terça-feira, 12 de julho de 2011

O que me resta.

  Me perdi. Não sei mais pra quem ou pra onde olhar, como me guiar. Você saiu e apagou todas as luzes. Não sei como vou viver sem sua essência misturada à minha. Já procurei pelo seu beijo em outras bocas, pelo seu carinho em outros colos, pelo seu sorriso em outros rostos, pelo seu calor em outras peles, mas nada nem ninguém se compara a você. Parece que ninguém é capaz de me levar tão alto quanto você me levava.
  Ficou tudo tão confuso, tão escuro sem você, que eu não percebi o abismo que estava na minha frente. Então numa tentativa tola de prosseguir, eu caí, terminei bem lá no fundo e é aqui que estou agora. Sozinha, com medo da próxima queda e a única coisa que me resta são as lembranças do que um dia foi um amor incondicional e inabalável.
 


domingo, 10 de julho de 2011

Ilusões I

   Não havia amor, sentimentos, paixão, ou qualquer outro bom motivo que me ligasse a você. Era a raiva que me movia. O ódio, o cansaço, a tristeza, a falta de esperança para seguir. Eram apenas dois corpos nús entre os lençóis, um contra o outro.
  Tantas drogas corriam por nossas veias sem piedade, tirando-nos de órbita... Estava curando minhas dores e decepções ali. Criando mais mártir, me afogando em excessos, fugindo de tudo que era real e concreto.
  Mas não valeu a pena. No fim voltei ao mesmo mundo insano. Continuei a sentir as mesmas dores, o mesmo pânico, o mesmo medo, as mesmas preocupações. E o mesmo ardor dentro de mim. Como se estivesse me corroendo órgão por órgão, até não restar mais nada.


Sofrer.

  Uma dor que se concentra dentro de mim. Uma dor que me calou. Dor que eu não vou mostrar a ninguém, porque ninguém merece sofrer comigo. Uma dor que infectou meu sangue e possuiu minhas veias.
  Dor que só passará quando o sangue escorrer pelos cortes e levar embora todas as lágrimas e mágoas que eu guardei.
  Dor só minha. Que vou esconder o máximo que puder, para que você não sofra por mim. Então, não venha me perguntar como estou, porque só escutará palavras sujas e mentirosas.